segunda-feira, 3 de outubro de 2016

MERDA, perdi meu Chão.

Gostaria de ver àqueles, que tanto pediram por esse momento, verdadeiramente alegres e com os corações palpitante de emoção, comemorarem a vitória e principalmente, a responsabilidade por sua contribuição.
Ai, talvez não fosse tão dolorido esse momento, pois, quando as pessoas têm ideal, tem objetivos, metas que acreditam poderem alcançar, ainda que opostos ao que eu acredito, poder-se-ia esperar alguma coisa boa, qualquer coisa, pelas quais elas lutarão.
Mas não vejo nada, não há alegria nesta vitória.
Há sim, um silencio sepulcral, cheio de ódio, alimentado por um desejo incontido de vingança, que nesse momento, lhes parece, se concretizou.
Hoje se concretiza o ápice de uma longa campanha de destruição.
Existe sim, festa de comemoração, mas não é uma festa para essa parte do povo que clamou por destruição.
A festa é de seus artífices, deles para consigo próprios.
É a festa de uns poucos privilegiados, que planejaram e ainda planejam mais destruição.
Estes sim, comemoram seu triunfo em destruir conquistas, que trouxeram alegrias, que possibilitaram realização de sonhos de tantos excluídos desse chão.
Comemoram entre si e tem o que comemorar: se viram desalojados do poder por quase duas décadas e comemoram vê-lo retornar as suas mãos à força de um golpe, dado com o consentimento de boa parcela da população.
Estes sim, se reúnem e festejam a ignorância dessa parcela de povo, que tão facilmente puderam manipular, fazendo pulsar neles apenas ódio e desrazão.
Estes sim, acreditam agora, terão de volta o poder de submeter todo um povo a seus desmandos e podem realizar suas próprias ambições.
E agora?  Estes que se deixaram ser usados, manipulados não serão convidados à esta festa? Claro que não.  Que aguardem do lado de fora as ordens, que como lacaios, deverão cumprir.
Eles que se contentem com o prazer, também momentâneo e fugaz de gritar:
Fora Democracia.
Fora Constituição e seus princípios de igualdade, de dignidade e justiça.Traduzidos todos, em escolas sem partido; intolerâncias; individualismo; discriminação a negros, pobres, LGTBS e por aí vai...   
Mas, tudo é momentâneo, tudo é fugaz, e como tal, essa maioria ensandecida que lhes deu vitória, e que mesmo hoje, já não a comemora, acordarão do surto de ódio injetados em suas mentes e em seus corações.
Incrédulos e impotentes, talvez descubram que afastaram de si, enquanto surtados, a alegria da participação, o sonho de liberdade e se enclausuraram em egoísmo e solidão.

O que me alimenta, no entanto, é a vontade de liberdade, de lutar por justiça e igualdade, que nunca será fugaz, nem momentânea, e por isso trato de reencontrar meu chão.

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